21 de Maio de 2013

Sete notas soltas sobre

(Intervenção de  Vítor Dias, em 17.5.2013
nas
III Jornadas de Ciência Política do ISCTE)


Boa tarde a todos, queria naturalmente começar por agradecer aos estudantes de Ciência Política do ISCTE e ao Prof. André Freire a patente generosidade de me terem incluido num painél de oradores tão qualificado numa iniciativa que infelizmente não pude acompanhar nas sessões anteriores mas cujo interesse e mérito,  me parecem evidentes.

Entretanto, quero assumir que aqui direi algumas coisas que certamente vos parecerão esquemáticas, pouco articuladas ou mesmo dispersas ou caóticas mas isso, sem menosprezar as minhas limitações culturais, é uma consequência de o Rossio que viaja na minha cabeça não caber na Betesga do apesar de tudo muito razoável tempo de intervenção.

As assumidamente descosidas observações que decidi aqui trazer-vos obedecem à ideia que tenho de que se é certo que os protagonistas ou intervenientes políticos têm a estrita obrigação de acompanharem na máxima medida possivel as reflexões que sociológos e politólogos vão avançando sobre questões cruciais do nosso tempo, também me parece muitas vezes vantajoso que o mundo académico se aproxime de uma forma mais directa, sensível e informada sobre o que são a vivência, as condicionantes e as reais características da acção dos partidos e da acção política em geral, sob pena de se gerarem reciprocas e indesejáveis incomunicabilidades e incompreensões.

Desenhado este já longo preâmbulo e feitas as ressalvas que considerava necessárias passaria então a um conjunto de observações fragmentadas à volta do tema deste painel.

A primeira tem de ser obrigatoriamente para vos lembrar que pertenço a uma corrente politica e a um historicamente longo de 92 anos património de ideias e de intervenção política que jamais definiu ou aceitou que a sua matriz identitária e a sua perspectiva e horizonte de acção e intervenção fossem os de exercer exclusivamente funções de representação política antes sempre dedicou, antes do 25 de Abril e depois, a imensa maioria dos seus esforços ao seu papel de dinamização, estimulo à organização e apoio a uma larga e activa intervenção e luta dos cidadãos ( e principalmente de determinadas classes ou sectores sociais) na vida nacional.

A segunda, decorrente obviamente da primeira, é que neste quadro e mesmo que possa ter reservas sobre aspectos da orientação de alguns deles, vejo com grande apreço as iniciativas de agregação e mobilização de cidadãos em torno de causas especificas ou objectivos socio-politicos mais globais (e que não são promovidas nem por sindicatos ou partidos) e as considero como complementares de outras formas de intervenção digamos mais clássicas e as olho como poderosos afluentes e expressões de um necessário alargamento da luta.

Entretanto, certamente não precisarei de dizer que são as formais organizadas e estáveis de representação  e defesa de interesses que me parecem melhor garantir condições de maior eficácia e serem factores mais profundos de consciencialização social e políitca e de aprendizagem colectiva.
 
Neste ponto, deixo propositadamente de parte por razões de economia de tempo, as controvertidas questões sobre saber se tudo o que mexe e positivamente se movimenta são «movimentos sociais», se «os novos movimentos sociais» são assim tão novos como isso ou se, tirando as novas tecnologias de comunicação, já vem dos anos 70 do século passado, ou mesmo se não há uma certa confusão entre reais movimentos sociais e grupos numericamente limitados de pressão ou expressão de correntes de opinião sobre temas diversificados no espaço público.

Dito isto, seria esconder de vós algo de essencial se não dissesse que tenho combatido, combato e continuarei a combater os que, empenhados em valorizar os movimentos ou movimentações ditos «inorgânicos» (atenção que alguma «orgânica» têm de ter) parecem obcecados e dominados pelo objectivo de fazerem tiro ao alvo sobre os partidos, sobre os sindicatos ou mesmo sobre o sistema político.

E, neste domínio, quero dizer-vos com franqueza total que considero por demais significativo e relevante que os promotores das mais poderosas manifestações dos últimos tempos – falo do movimento QUE SE LIXE A TROIKA – já terem repetidamente demonstrado que não são passíveis daquela minha anterior reserva e crítica.

A terceira observação é para vos confessar que, mesmo que aqui me refira várias vezes genericamente «aos partidos», há mais de 30 anos que combato (sofrendo persistentes derrotas) as quanto a mim nada inocentes generalizações sobre os partidos e que sobretudo os estudos de ciência política não podem passar ao lado da evidência de que, independentemente de juízos de valor, os partidos políticos portugueses tem diferentes histórias, diferentes identidades, diferentes concepções de funcionamento e de acção diferentes projectos politicos e que os seus militantes também são em larga medida influenciados ou formados através de diversas culturas políticas, sem que isto signifique que pretenda reclamar para o meu lado qualquer santidade ou perfeição, antes significando apenas que estou disponível para confrontos ou comparações feitos no concreto.

Neste âmbito, quero confessar-vos que se há coisa que me tira do sério é o tique, pavorosamente dominante nos media, que consiste em, se se fala de partidos, pensar-se apenas nos dirigentes, nas estruturas e no chamado «aparelho» e , se se fala de movimentos, pensar-se apenas nos «cidadãos». Como se os partidos fossem compostos por robots ou extraterrestres e não como são (ou não devessem ser) a organização de cidadãos livres em torno de um projecto político e como se os «movimentos de cidadãos» não tivessem dirigentes.

Este tipo de tiques esquece aliás que, a seguir aos sindicatos, os partidos políticos são seguramente as organizações que maior número de cidadãos agregam e associam.

De idêntico modo, me parecem muito precipitadas as tendências para considerar que os «movimentos de cidadãos» são um esplendor de democracia interna e que os partidos, bem ao contrário, seriam o território por excelência da falta de democracia.

A este respeito, e sem que isto deva ser considerado um defeito desses movimentos, mantenho a minha ideia muita antiga de que, quanto mais um movimento é informal e «inorgânico» mais fácil e natural é a concentração dos poderes de decisão em poucas pessoas.


Para vos dar um mero exemplo, creio ser indiscutível que, como militante do PCP inserido numa organização na Amadora, tenho muito mais possibilidades de pedir informações ou escrutinar a acção dos eleitos na CDU no poder local do concelho do que terão os milhares de cidadãos que se limitaram a subscrever as candidaturas autárquicas ditas de «independentes» mas, de facto e juridicamente propostas por «grupos de cidadãos eleitores».

A minha quarta observação visa salientar que nem por um segundo me passa pela cabeça ignorar, desvalorizar ou menosprezar os sinais ou sintomas do que insistemente se refere como a crise na confiança no sistema político, a desconfiança nos partidos ou a desafeição em relação à própria democracia, matérias sobre os quais há os suficientes e preocupantes sinais nacionais e sobretudo internacionais.

Distintamente do que todos os dias me é impingido nos media, considero entretanto que é preciso mais prudência e finura em alguns juízos peremptórios e definitivos que, para além de outros relevantes aspectos, ma parecem não ter em conta aquilo a que eu chamaria de «ambivalência dos cidadãos» (ou eleitores ou inquiridos em sondagens).

Com efeito, nunca me esqueço de que, num estudo dirigido pelo Prof. André Freire sobre as eleições legislativas de 2002, realizado no âmbito Instituto de Ciências Sociais, havia salvo erro uma pergunta sobre se os inquiridos consideravam os partidos todos iguais e uma aterradora e elevadíssima percentagem respondia positivamente que sim.

Perante este dado, fiquei a pensar que na maioria das restantes perguntas do inquérito, sobretudo as respeitantes a partidos ou dirigentes partidários, aquela devastadora percentagem se iria boriufar nessas perguntas e engrossar o item dos que «não sabem/não respondem».

Estava a ser perfeitamente tolo.  A verdade é que os mesmos que tinham manifestado a opinião de que os partidos eram todos iguais ou comungavam dos mesmos defeitos nem por isso, nas outras perguntas, deixaram de ter opiniões detalhadas e diferenciadas sobre quem estava mais à esquerda. mais ao centro ou mais à direita ou de manifestar diferentes graus de concordância ou apoio à acção dos líderes partidários.

Ainda a este respeito, só quero lembrar que na habitual sondagem do Expresso. no item sobre a apreciação dos líderes partidários, só para citar dois exemplos em que me parece não se poder dizer que se trata dos mesmos inquiridos, Jerónimo de Sousa reune 32% de apreciações positivas  e Passos Coelho cerca de 22%. O que me parece indicar que pelo menos 54% dos inquiridos aprecia positivamente ou confia em alguma coisa.


Uma quinta observação visa transmitir-vos a minha inquieta constatação de que, no quadro de tantas legitimas interpelações ou criticas aos sistemas políticos, ocupa entretanto um lugar ínfimo a crítica ou condenação dos sistemas eleitorais maioritários que, de forma brutal, já há mais de 25 de anos classifiquei de « escrutínio de ladrões» mas que a maior parte das vezes são tratados ou apresentados como um das opções técnicas em presença, para já não falar das vezes em que não poucos põem o objectivo da «governabilidade» à frente do respeito pela vontade realmente expressa pelos eleitores.

É assim que passa quase sem escândalo de maior que nos EUA possam ter tido um presidente que teve menos votos que o seu concorrente, que haja países – Grécia, Itália – onde se dá um bonús de maioria de  deputados ao partido mais votado , o que só pode significar o facto muito esquecido de que então foram roubados a outros partidos os deputados correspondentes a votos que tiveram e que haja países – Grã-Bretanha, Estados Unidos - onde por detrás do principio geral «the winner takes all» se esconde a inutilização do voto de milhões de cidadãos e um para mim infame sistema de desigualdade na eficácia de voto entre os cidadãos.

Uma sexta observação prende-se co o facto de a toda a hora se falar da incapacidade de os partidos corresponderem às expectativas ou anseios dos cidadãos mas ninguém querer ter em conta que hoje em dia e desde há algumas décadas, os partidos políticos, talvez com excepção dos partido do governo, pesarem muito menos     no curso da vida política do que acontecia no passado e do que muita gente ainda hoje imagina.

Na verdade, creio que constitui quase um tabi reconhecer ou admitir que, nos tempos que correm, o sistema mediático tem, por diversas vias, uma maior influência na agenda e na vida políticas do que os partidos da oposição.

Quero com isto dizer que os órgãos de informação são hoje dos principais actores da vida política e no entanto todos os dias nos querem fazer crer que analisam a vida política,  isentos e superiores, do cimo de uma enorme grua.

Apenas um exemplo, entre dezenas possíveis: na sequência de duas outras grandes iniciativas realizadas na década de 90 e típicas da chamada «abertura dos partidos à sociedade», também em 2003 o PCP realizou uma iniciativa de debate dos problemas  nacionais intitulada «Em Movimento, por um Portugal com Futuro» e aberta a quem nela quisesse participar e contando como oradores também personalidades independentes e até de outros quadrantes políticos.

Porém,  ao intervir na abertura da sessão de encerramento desta iniciativa, fui obrigado a declarar o seguinte : «(...) Não apenas por respeito pela verdade mas sobretudo como contribuição para que ninguém ignore as dificuldades e adversidades que enfrentamos, merece uma referência o facto de a iniciativa «Em movimento, por um Portugal com futuro» e os mais de 50 debates que no seu âmbito foam realizados tiveram direito, por  junto e considerando os principais jornais de expansão nacional, a cerca de oito notícias, a grande maioria das quais referentes à sessão de apresentação da iniciativa.» E acrescentava de seguida:«Nada disto impedirá que nestes mesmos meios de informação onde faltaram notícias sobre estes 50 debates do PCP, não tenham faltado no último ano e não venham a faltar nos próximos anos doutos opiniões e definitivas sentenças de que os partidos da oposição, e em especial o PCP, não se abrem à sociedade e se consomem apenas a dizer mal do governo do país e que são incapazes de apresentar propostas construtivas e fundamentadas de políticas alternativas».

A   sétima observação (por favor, respirem agora de alívio porque é a última) é sobretudo para vos informar que a minha falta de visão sobre a hierarquia dos temas me leva a não falar dessa matéria crucial que são as ideias circulantes sobre reformas do sistema político e que envolvem ideias como as de primárias nos partidos para escolher os seus candidatos às autarquias ou à AR, a crição de círculos uninominais para maior «aproximação dos deputados aos eleitores» ou mesmo a apresentação de listas de candidatos ditos «independentes» à AR com votação nominal na listas dos partidos ( aquis´só uma nota para informar que no meu blogue e no Facebook lancei de boa-fé  oito perguntas concretas sobre esta ideia e que ainda hoje estou à espera de resposta).

Na impossibilidade de falar decentemente sobre estas importantes questões deixo.vos apenas duas notas que vos poderão parecer acessórias mas que talvez não sejam  :

- a primeira é que se na Amadora, onde vivo, fosse criada qualquer circunscrição eleitoral de eleição uninominal de um deputado que abrangesse a minha freguesia, a CDU não teria qualquer possibilidade de vencer essa eleição e, nesse caso, eu não quereria qualquer proximidade com o deputado eleito do PS ou do PSD e só quereria mesmo distância;

- a segunda é que não ignorando que a política se faz com o rosto e a voz de homens e mulheres e com asingularidade das suas convicções ou paixão política, chamo a vossa atenção para que a pulsão a favor de uma extremada personalização da política não tem nada de moderno e é mesmodo que mais houve na Europa no final do Século XIX e principios do Século XX. A tal ponto que, neste último período, há uma frase de Jean Jaurés que representa um poderoso apelo à revalorização das ideias e dos projectos políticos e não tanto das personalidades individuais.

Agora fechando mesmo: pode ser pouco para as urgências que muitos sentimos nestes tempos ásperos, incertos e deastadiores que amarguram o nosso viver colectivo mas, por mim, revejo-menesta espécie de compromisso constante de uma frase de Albert Camus: « A própria luta em direcção aos cumes chega para encher o coração de um homem. É preciso imaginar um Sísifo feliz».

22 de Janeiro de 2013

Etiano Branco sobre a sua vida


A Minha História de Vida

A infância

Nasci “de passagem” em São Tomé e Príncipe. Fui levado pelos meus pais com seis meses de idade para Angola, onde, foi-me dito mais tarde, o meu pai se tornou um dos grandes especialistas na produção de café, tendo trabalhado, como “capataz”, em algumas das principais fazendas do Norte de Angola, mais precisamente na Província do Uíge, até se tornar proprietário da sua própria fazenda, a que deu o nome da minha avó paterna, Laura, situada algures entre Quitexe e Vila Nova de Caipemba.
Dos anos mais recuados da minha infância, guardo memórias dispersas de uma vida serena e feliz, entre brincadeiras nos capinzais e florestas, a subida às árvores para colher sumarentos frutos (mangas, goiabas…) e uma total ausência de medo face aos animais e animaizinhos que por ali partilhavam o espaço comigo e eventuais amigos. Também recordo algumas vivências ternurentas com a minha irmã, três anos mais velha do que eu (dado que a qualidade de menina não aconselhava muito a sua permanências naquelas terras inóspitas, o meu pai enviou-a alguns anos depois para a “metrópole”, para ser educada pela minha avó Laura, em Vila Nova de Foz-Côa; ela nunca perdoou tal facto ao meu pai, mas essa é outra história…).
Chegado o momento de começar a aprender as “letras”, fui remetido para Luanda, onde me inscreveram num colégio para fazer a pré-primária, tendo ficado instalado em casa de um casal amigo dos meus pais. Tinha então cinco anos e acho que me saí bem.
Entretanto, chegou o momento de o meu pai se decidir a avançar com a sua própria fazenda de café, o que fez em sociedade com um seu irmão e meu tio. Este meu tio ficou instalado em Vila Nova de Caipemba, onde também tinha uma loja, e tratava da parte “burocrática” da fazenda (o meu pai era o responsável pelo andamento das coisas no terreno). E foi para casa do meu tio que fui recambiado após terminar a pré-primária.
Caipemba era uma vila relativamente recente e apenas nesse ano estava a ser construída a escola primária. Mas já havia sido contratada uma professora, que começou por me dar aulas em privado até a escola ser inaugurada, uns meses depois.
A frequência da escola primária foi estimulante. Tive a vantagem de o meu tio ser um leitor compulsivo e ter muitos livros em casa, embora ele não se preocupasse muito em “orientar” as minhas leituras. Assim eu comecei muito cedo a ler tudo o que apanhava, desde a Bíblia até livros policiais, o que naturalmente fez com que me distinguisse com alguma facilidade na escola, onde fui sempre o melhor aluno, tendo terminado a 4ª classe e feito o exame de admissão ao Liceu com “brilhantismo”, como me recordo de a minha professora primária (de cujo nome, curiosamente, me esqueci) ter classificado o “feito”.
Entrei então para o Liceu e lá fui outra vez para Luanda, desta vez para casa de uns primos afastados da parte da minha mãe.
E foi quando o “meu” mundo se desmoronou.
Em 11 de Março de 1961, um movimento nacionalista denominado União dos Povos de Angola (UPA, que posteriormente alterou a designação para Frente Nacional para a Libertação de Angola – FNLA) desencadeou os massacres que estiveram na génese da guerra colonial.
Não me vou deter muito neste ponto porque os factos são conhecidos e porque, ainda hoje, é-me um tanto doloroso falar no assunto. Os meus pais e os seus empregados foram chacinados na fazenda. Acontece que eu estava de férias da Páscoa mas, ao contrário do que havia sucedido noutros anos, não fui passar as férias na fazenda e fiquei em casa do meu tio, em Caipemba. Só por isso sobrevivi, mas, ainda assim, vi demasiadas coisas que uma criança de 11 anos de idade não deveria ver, de todo. A vila esteve cercada pelos “terroristas” durante dois dias, até chegar uma força militar oriunda de Carmona (hoje Uíge) que repôs a “ordem” (igualmente com recurso a alguns massacres) e tratou da retirada das mulheres e crianças, em camioneta, para o Negage, onde havia um aeroporto militar, e depois para Luanda, de avião (foi o meu baptismo de voo). O meu tio ficou e nunca mais o vi.
Em Luanda, fui acolhido num centro de refugiados. Posteriormente, a Cruz Vermelha Portuguesa interessou-se pelo meu “caso” e optou pelo meu internamento na Casa Pia de Lisboa (Colégio Pina Manique).
Assim, um belo dia de Janeiro de 1962, fui entregue a uma hospedeira de bordo no aeroporto de Luanda (onde estariam uns 30 graus centígrados de temperatura) e umas horas depois chegava a Lisboa (onde estariam para aí uns 5 graus centígrados). E eu com o meu “fatinho-da-comunhão”, sem forro. Tive tanto frio que até as unhas dos pés batiam palmas… Ainda hoje me recordo de uma sopa que me deram quando cheguei à delegação da Cruz Vermelha Portuguesa (em frente ao Jardim Zoológico). Mas não me recordo do sabor da sopa, e sim que era… quente!

A adolescência

Os primeiros tempos no Colégio Pina Manique foram terríveis. Além do frio a que não estava habituado (nascera em pleno Equador e vivera até aos 11 anos num dos territórios mais quentes e húmidos de África), não sendo propriamente um “menino rico”, poderia dizer-se que tivera até então uma existência confortável e, de certo modo, protegida. De repente, tudo era diferente, desde a comida aos hábitos e… capacidade de sobrevivência.
Ainda me recordo do ar espantado do preceptor quando, a meio da tarde do primeiro dia, lhe perguntei com o ar mais cândido: “A que horas é o lanche?”. Lanche? (eh eh eh).
Assim como me lembro de haver um “ritual” no refeitório a que levei algum tempo a adaptar-me: as mesas eram de seis alunos, sempre os mesmos durante um ano lectivo, se bem recordo; para que não houvesse confusões, em cada refeição um dos alunos era o primeiro a servir-se, da sopa, conduto e fruta - e ia rodando até dar a volta à mesa, sucessivamente; ora bem, nas primeiras refeições em que participei, como “bem educadinho” que era, quando me calhava ser o primeiro a escolher, escolhia a posta de peixe mais pequena ou a fruta com ar menos apetitoso (na convicção de que os outros fariam o mesmo quando fosse a vez deles); está-se mesmo a ver que rapidamente me apercebi de que ficava sempre com o pior bocado, fosse o primeiro ou o último a escolher. E, naturalmente, aprendi uma regra de sobrevivência…
Tive muita dificuldade em adaptar-me ao clima (invariavelmente ia parar à Enfermaria em Dezembro - como nasci a 23 de Dezembro, os aniversários eram sempre passados na cama, de tal maneira que acabei por ser de algum modo “adoptado” pela enfermeira, que me levava sempre umas guloseimas aniversariantes).
Mas lá acabei por adaptar-me e os anos passaram. Tirei o Curso Geral de Comércio, vertente esteno-dactilografia. Já nessa altura pensava que gostaria de ser jornalista, pelo que me parecia ser o único curso dos então disponíveis em Pina Manique que se adaptava de algum modo a essa pretensão (também havia Tipografia, mas a minha falta de jeito em trabalhos “manuais” desaconselhou-me essa via).
Fui um aluno mediano. Apenas me destacava em Português, que terminei com média de 17. Olhando à distância, julgo que poderia ter sido muito melhor aluno, mas faltavam-me estímulos. Recordo, por exemplo, um episódio: um dia o professor de Cálculo Comercial passou-me uma descompostura durante a aula, chamando-me preguiçoso e outras coisas mais; fiquei furioso e decidi dar-lhe a resposta; agarrei-me aos livros e nas semanas seguintes fiz exercícios e mais exercícios; no teste seguinte, o meu teste estava perfeito, tudo certo, era para 20; no dia da distribuição de resultados, o professor olhou para mim e disse que não acreditava que não tivesse copiado; e deu-me 10, por especial deferência... Claro que nunca mais me preocupei com aquela disciplina (ou, por outra, preocupei-me o suficiente para passar…).
Fora das aulas fui um razoável praticante de desporto. Joguei andebol nos torneios inter-escolas e futebol no Casa Pia Atlético Clube (apenas nos juvenis, porque entretanto surgiram outros interesses e deixei o futebol).
Um dos interesses era a leitura. Fui eu que desencadeei o embrião de uma biblioteca que, espero, tenha frutificado em Pina Manique. Aproveitando as aulas práticas de dactilografia, lembrei-me de escrever para todas as editoras a solicitar a doação de livros. Não esperava tão boa reacção. Chegaram caixotes e caixotes de livros.
Terminado o curso, dado que não tinha qualquer familiar em Lisboa (como já disse, a minha irmã estava em Vila Nova de Foz-Côa, com a minha avó paterna; também por ali estavam mais duas tias paternas e alguns primos, mas, sem querer ser demasiado cruel, diria que era gente mazinha, excepção feita à minha irmã, claro) fui para o Lar de Stº António, entretanto criado exactamente para apoiar o pessoal que saía de Pina Manique e não tinha para onde ir.
Concorri e entrei para o meu primeiro emprego, como escriturário, na então Federação Nacional dos Produtores de Trigo (posteriormente EPAC).
Comecei então a descobrir algumas das boas coisinhas da vida que tinham estado até então um bocado desavindas (o namoro, por exemplo). E comecei a desenvolver alguma consciência política. Lentamente, percebi que as circunstâncias do que me tinha acontecido em Angola eram bem mais complexas do que julgara. E desatei a ler. Muito. E a conviver. Foram tempos agradáveis.

A tropa

E chegou o momento de ingressar no Serviço Militar Obrigatório. Com a consciência política recém-adquirida, cheguei a ponderar a deserção. Por um lado, apesar do trauma que me fora infligido em Angola, ganhara consciência de quão disparatada era a Guerra Colonial; por outro lado, precisamente pelos acontecimentos que presenciara, não tinha muito bem a certeza de como reagiria se confrontado com a guerra propriamente dita (de arma na mão).
Ponderados os prós e os contras, decidi avançar e lá me apresentei ao serviço militar. Felizmente, por mero acaso, já que não tinha “cunhas”, fui parar a uma “especialidade”, digamos, anódina (para o caso): Administração Militar. Uma maravilha.
Após os trâmites habituais (recruta, especialidade), fui mobilizado, em rendição individual, para Moçambique, com destino ao Quartel-General, em Nampula.
Lá embarquei no navio Infante D. Henrique e, dado que se tratava de uma “rendição individual”, viajei como qualquer passageiro (sem as chatices da “tropa”). Foi magnífica a viagem (daria para um capítulo à parte).
Melhor ainda: chegado a Lourenço Marques (hoje Maputo), dado que um camarada estava já há dois meses à espera do substituto que nunca mais chegava (vim a saber mais tarde que o presumível substituto era filho de um general, que “bloqueara” a sua ida para Moçambique), fui sumariamente “requisitado” para ficar no Batalhão de Intendência de Lourenço Marques, onde passei dois simpáticos anos de férias sem dar um tiro numa guerra que não me agradava de todo. Nada mau.

E depois…

Quando se aproximava o final da minha “comissão de serviço” em Moçambique, comecei a matutar: “O que raio vou fazer para a Metrópole? Não tenho lá nada de apelativo (a não ser a minha irmã, mas, enfim, lá seguirá o seu caminho, e uma namorada que entretanto seguira outros caminhos – tal como eu, aliás)”.
E foi então que ponderei num facto: havia duas tias (irmãs da minha mãe) que tinham ficado em Angola (também eram naturais de São Tomé e Príncipe e, dado serem mais novas, foram “chamadas” pela minha mãe para Angola, onde construíram a sua vivência). Pensei então que se calhar não era má ideia regressar a Angola, pelo menos para ver como paravam as coisas. E assim foi: fiz um requerimento ao Chefe do Estado-Maior e, em vez de vir “passar à disponibilidade” na Metrópole, fui de Moçambique para Angola e disse adeus à tropa no Quartel do Grafanil, em Viana (arredores de Luanda).
Uma das minhas tias residia então em Salazar (hoje N’Dalatando, capital da província do Kuanza Norte) e foi para aí que me dirigi.
Estávamos no ano de 1973 e ali me fixei, tornando-me trabalhador bancário (Banco Comercial de Angola).
E deu-se o 25 de Abril de 1974.
Tempos conturbados
O 25 de Abril apanhou-me um bocadinho “desprevenido”. Apesar de razoavelmente politizado, talvez porque ao tempo não partidariamente empenhado, não entrevi o acontecimento. Mas aconteceu.
E as coisas complicaram-se. Salazar (hoje N’Dalatando) viveu o chamado “período de transição” como muitas outras localidades angolanas. Foi palco de dois violentos confrontos, em períodos distintos, em que, no primeiro, a FNLA saiu “vitoriosa”, remetendo o MPLA para “o mato” (ou longínqua periferia da cidade) e, no segundo e definitivo, o MPLA “varreu” a FNLA do terreno (a UNITA, por ali, limitava-se a fazer figura de corpo presente).
Vivi, mais uma vez, momentos inolvidáveis. Mas também essas são outras histórias.
Chegou-se a uma situação em que era completamente impossível a cidade continuar a funcionar como espaço convivial. E uma coluna de carros civis, enquadrada por viaturas militares portuguesas (da Metrópole), partiu para Luanda com toda a população (branca, mestiça) de Salazar (hoje N’Dalatando).
E assim voltei mais uma vez a Luanda. Onde fiquei durante alguns meses. 
Os meus tios e primos vieram para a Metrópole na “ponte aérea dos retornados”, mas eu decidi ficar para ver como evoluía a situação.
Fui ficando, sempre como funcionário do Banco Comercial de Angola, vivendo aqueles momentos exaltantes de descoberta da “democracia”, até que uma bela noite, numa tertúlia de café, em plena discussão sobre as opções e virtualidades políticas, um distinto fulano interrompeu o meu raciocínio dizendo: “Meu caro, não admito que um tipo mais ‘claro’ do que eu me levante a voz!”. Ele era negro e eu sou mestiço (ou mulato).
No dia seguinte, dei o meu carro ao marido da outra minha tia (que foi a única da família que ficou, ainda por mais algum tempo, em Angola), fui para o aeroporto de Luanda, e vim para Lisboa.
Aqui chegado (a Lisboa), reencontrei a minha antiga namorada (que entretanto tivera uma filha e já se divorciara do marido), que me disse com um ar muito sério: “Nunca te perdoarei que te tenhas vindo embora…”. Ela acreditava, muito sinceramente, que o povo angolano, todo ele, precisava da minha ajuda para ser feliz por todo o tempo. Coisas dos tempos mais ou menos revolucionários...

E a vida continua…

Mas quando cheguei, digamos, estava com uma mão à frente e outra atrás. Fui, naturalmente, refugiar-me em casa da minha irmã (aquela mesma que tinha sido “despachada” pelo meu pai para Vila Nova de Foz-Côa e que, entretanto, tinha dado asas à sua vida e se fixara na cidade do Porto, onde se casara e construíra a sua prole, ao tempo apenas uma filha, posteriormente mais dois rapazes).
Por ali deambulei, com um bocado de frio, e fui assistindo à “consolidação” da democracia portuguesa.
Arranjei um emprego, como funcionário administrativo, no Hospital Joaquim Urbano.
Mas se o clima de Lisboa, para quem nasceu em São Tomé e Príncipe, é um pouco agreste, o do Porto, então, deixem-me que vos diga: houve um ano em que, sem exagero, vivi literalmente, durante dois meses seguidinhos, sem interrupção, debaixo da chamada “chuva-molha-tolos” (ou “chuva-molha-otário”, na versão brasileira).
Cansei-me e voltei para Lisboa.
Claro que entretanto (e estas coisas nunca são inocentes), havia uma miúda pelo meio. A minha primeira mulher, a Lena, foi uma coisa boa que me aconteceu. Morreu, vinte anos depois, de cancro do estômago, e foi pena.
Chegado novamente a Lisboa, o meu amigo Orlando César, filho de Orlando Gonçalves (um homem com H grande), deu-me algum apoio e estive uns tempos a trabalhar na tipografia do “Notícias da Amadora”, jornal em que entretanto começara a colaborar também como jornalista.
Juntei entretanto “os trapinhos” com a Lena e, dado que havia sido bancário em Angola, “aproveitei” a hipótese de transferência de quadros e tornei-me bancário na Metrópole. Fui, durante alguns anos, funcionário do então Crédito Predial Português (embora, a bem da verdade, em grande parte do tempo em funções de “defesa dos interesses dos trabalhadores”, designadamente na Comissão de Trabalhadores da instituição).
Mas a banca não era, decididamente, a minha vocação. E ingressei no jornalismo. Primeiro no extinto jornal “O Diário”, conotado partidariamente mas que, ao tempo, exerceu um jornalismo de excelência (ao nível formal e de conteúdo). Passei depois pelo Diário Económico, semanário Expresso, revista Valor e canal de televisão SIC. Foram muitos anos de experiências inolvidáveis.
Entretanto, alguns anos após a morte da minha primeira mulher, “juntei os trapinhos” com a segunda, Ana, com quem actualmente resmungo ternurentamente ao final da noite. Não tive filhos, o que de algum modo lamento, embora, olhando para 11 de Março de 1961, me vá questionando: será que teria valido a pena?
De qualquer modo, posso sempre dizer (citando uma frase muito em voga) que vivi “acima das minhas possibilidades”.

8 de Janeiro de 2013

Esperando que Julião Sarmento tenha sentido de humor

Hoje o sapateiro
resolveu tocar rabecão



Tendo esta capa do grande artista plástico Julião Sarmento para a última revista do Expresso sido objecto de delicadas reticências numa página do Facebook, aí anunciei que até eu, que lido mal com o Paint e não tenho CorelDraw, mesmo no estilo minimalista,  era capaz de fazer melhor. Aqui fica pois a minha atrevida tentativa, com a complementar explicação para leigos de que as partes referentes ao Paint fazem mesmo parte do projecto de capa. Não sei se me entendem mas é uma tentativa de proceder digamos à "desconstrução" do trabalho dos gráficos exibindo os instrumentos a que recorrem.

21 de Agosto de 2012

Manifesto em defesa do serviço público de televisão


A evolução da televisão ao longo das últimas décadas, com a multiplicação da oferta de canais, a passagem ao digital, a perigosa concentração em grandes  grupos de comunicação, com o risco de promiscuidade entre política, negócios e informação, não diminuiu a legitimidade do serviço público na Europa e do 
seu insubstituível contributo para a democratização da sociedade. Pelo 
contrário, na maioria dos países europeus, o serviço público reforçou a sua 
legitimidade: multiplicou a oferta, reforçou a exigência de uma programação 
mais qualificada e atenta à inovação do que a dos seus concorrentes 
comerciais; tornou mais clara a exigência de uma informação isenta e plural; 
as preocupações com a programação cultural ou relacionada com os gostos das 
minorias e com os interesses sociais de reduzida expressão; a salvaguarda de 
programas e canais de limitado interesse comercial, mas importantes para 
toda a sociedade; a certeza de o seu capital ser nacional num quadro 
empresarial cada vez mais preenchido por multinacionais e poderosos 
operadores de telecomunicações; e o seu papel decisivo na indústria 
audiovisual.

De tal forma assim é que em nenhum outro país europeu, exceto em Portugal, o 
governo se propôs enfraquecer o serviço público de televisão, privatizando 
um dos seus canais nacionais. A prova é que a privatização de um canal de 
televisão não figura nem nas exigências da Troika, nem na agenda da União 
Europeia. O serviço público continua a ser considerado, agora mais do que 
nunca no quadro da televisão digital, um eixo estratégico de afirmação da 
língua, da cultura e da identidade de cada Estado, um instrumento da coesão 
social de cada país, através de um operador a quem todos ­ poder e opinião 
pública - reconhecem um insubstituível papel regulador do mercado, garante 
do pluralismo e promotor da diversidade e da qualidade dos conteúdos 
audiovisuais. E a quem os cidadãos sentem que podem pedir contas.

A verdade é que continuam plenamente válidos os sucessivos documentos de 
diversas instâncias europeias, apoiados num consenso de todas as famílias 
políticas da direita à esquerda, que vêm reafirmando que «um amplo acesso do 
público a várias categorias de canais e serviços constitui uma pré-condição 
necessária para o cumprimento das obrigações específicas do serviço p
úblico».

Desta forma, os signatários, provenientes dos mais variados quadrantes 
políticos e ideológicos, exprimem a sua profunda discordância face à 
anunciada privatização de um dos canais da RTP, apelando ao governo e ao 
poder político para que, tal como aconteceu com a prometida privatização da 
agência Lusa, não concretizem essa decisão, cujos contornos têm 
inclusivamente provocado legítimas suspeições sobre a sua transparência.

Entendem também que esta espécie de bomba-relógio que paira sobre a RTP, 
acompanhada do anúncio do desmembramento dos seus meios de produção,
compromete o futuro da empresa e está a prejudicar não apenas a prestação do 
serviço público, como impede o que devia ser sua a prioridade mais urgente: 
uma profunda reflexão sobre a forma de garantir o imperativo constitucional 
de independência face ao poder político e ao poder económico e a reforma a 
empreender na oferta do serviço público no quadro digital, acompanhando os 
modelos dos outros países europeus.

O governo, aliás, tem revelado uma preocupante falta de clareza e de 
coerência nas medidas anunciadas, geralmente avulsas e erráticas, pautadas 
pelo improviso e pelo desconhecimento do que está em jogo. A verdade é que, 
até hoje, o governo já falou de «alienação» e de «privatização», sem que 
ninguém percebesse porquê nem para quê, e muito menos o que se pretende «
alienar» ou «privatizar», nem em que termos.

Além do mais, neste quadro, uma eventual privatização de um canal, sobretudo 
se conjugada com o anunciado fim da publicidade comercial na RTP, não 
representaria nenhuma diminuição dos custos do serviço público, que, de 
resto e ao contrário do que tem sido frequentemente propalado, são dos mais 
baixos da Europa.

Bem pelo contrário, sobretudo no atual contexto de grave crise económica e 
financeira, a presença de um novo operador comercial, certamente com uma 
programação adequada à sua necessidade de maximizar receitas publicitárias, 
teria dramáticas consequências na viabilidade dos restantes operadores do 
sector, bem como em todas as outras empresas de comunicação social e da 
indústria audiovisual, empobrecendo drasticamente a qualidade e a 
diversidade dos media portugueses.

Por outro lado, essa privatização envolveria o fim de muitos dos atuais 
programas da RTP, quer os programas que legitimamente procuram dirigir-se a 
todos os portugueses, quer alguns dos que se destinam aos públicos 
minoritários, que não encontram conteúdos idênticos na restante oferta 
televisiva por não ser essa a vocação dos operadores comerciais - e que, por 
isso, devem ser assegurados por um canal alternativo -, conferindo
legitimidade e um importante papel regulador ao operador público.

Por todas estas razões, os signatários apelam ao bom senso dos partidos do 
governo e da oposição para que travem uma medida que carece de clareza e de 
racionalidade e que não pode em caso nenhum ser enquadrada no plano de 
privatizações, até porque a sua dimensão financeira seria despicienda e 
totalmente desproporcionada relativamente aos efeitos brutais sobre a 
indústria dos média e a qualidade e a isenção da informação, da formação e 
do entretenimento a que os portugueses têm direito.

Signatários 222 | última actualização | Segunda-feira 20.Agosto.13h00

Abel Neves
escritor

Alberto Arons de Carvalho
membro da ERC

Albino Ribeiro Cardoso
jornalista

Alda Telles
consultora de comunicação

Alexandre Vasconcelos e Sá
editor

Alice Vieira
escritora

Alfredo Barroso
escritor

Alfredo Caldeira
jurista

Alfredo Maia
jornalista e presidente do Sindicato dos Jornalistas

Álvaro Laborinho Lúcio
advogado

Álvaro Siza Vieira
arquitecto

Ana Entrudo
funcionária pública

Ana Rita Gonçalves
arquivista - reformada

Ana Sousa Dias
jornalista

Anabela Fino
jornalista

André Freire
politólogo e professor universitário

Aníbal Gomes Cabrita
realizador de rádio

António Arnaut
advogado e escritor

António Bagão Félix
economista

António Borga
produtor de televisão e presidente da APIT

António Casimiro
decorador

António Cartaxo
jornalista

António Costa
presidente da CML

António Ferreira
realizador

António José Seguro
secretário-geral do Partido Socialista

António Loja Neves
jornalista

António Matos Braga
técnico de informática

António Mega Ferreira
escritor

António Mota Redol
engenheiro

António-Pedro Vasconcelos
cineasta

António Reis
professor universitário

Arménio Carlos
secretário-geral da CGTP

Artur Portela
escritor e jornalista

Augusto Baptista
jornalista

Augusto Flor
antropólogo


Baptista Bastos
escritor e jornalista

Bertília D¹Almeida e Silva
enfermeira

Beatriz Vidal
designer

Benjamim Formigo
jornalista

Bruno de Almeida
cineasta

Bruno Horta
jornalista

Bruno Prata
jornalista


Carlos Alberto da Costa Almeida
professor universitário - aposentado

Carlos Alberto Moniz
músico

Carlos Camponez
jornalista e professor universitário

Carlos Correia
reformado

Carlos Fino
jornalista

Carlos Matos Gomes/Carlos Vale Ferraz
escritor

Carlos Porfírio
escritor

Carlos Reis
professor universitário

Carlos T
escritor

Carlos Veiga Pereira
jornalista

Carvalho da Silva
professor universitário e ex-secretário-geral da CGTP

Cecília Cordeiro
tradutora

Celeste Duarte Baptista
professora universitária

César Príncipe
escritor e jornalista


Daniel Oliveira
jornalista

Daniel Sampaio
psiquiatra

Deolinda Machado
dirigente sindical da CGTP

Diana Andringa
jornalista

Diogo Infante
actor

Domingos Lopes
advogado

Duarte Moral
jornalista


Eduardo Gomes
produtor e realizador de televisão

Elsa Ferreira
profissional de cinema

Emídio Rangel
jornalista

Estrela Serrano
professora universitária


Fernanda Mestrinho
jornalista

Fernando Cascais
jornalista e professor universitário

Fernando Correia
professor universitário

Fernando Dacosta
escritor

Fernando José Vilhena de Mendonça
médico

Francisco Macedo Toco
advogado

Francisco Manuel Matos Serra
tenente-coronel do Exército - reformado

Fernando Mora Ramos
encenador

Francisco Motta Veiga
sociólogo

Francisco Sarsfield Cabral
jornalista

Fernando Veludo
jornalista


Helena Rodrigues Correia
socióloga

Helena de Sousa Freitas
jornalista

Helena Sousa
professora universitária

Hélia Correia
escritora
1113107

Henrique Cayatte
designer
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Humberto Santana
produtor de animação


Inês de Medeiros
actriz e deputada

Irene Flunser Pimentel
historiadora

Isabel Medina
actriz

 Januário Torgal Ferreira
bispo das Forças Armadas

J. Goulart Machado
jornalista e presidente do C.A. da Casa da Imprensa

Joana Lopes
escritora

João António Andrade da Silva
coronel ...... - psicólogo reformado

João Baptista Magalhães
professor

João Bicker
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João Caraça
professor universitário

João Fernandes
director do Museu de Serralves

João Ferrão
geógrafo

João Lourenço
encenador e actor

João Proença
secretário-geral da UGT

João Rodrigues
editor

João Nunes
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João Ogando
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João Soares
deputado

Joaquim de Almeida
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Joaquim Furtado
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professor universitário da Universidade do Minho

Joaquim Vieira
jornalista

Jorge Daniel Gonçalves dos Santos
reformado

Jorge Daniel
reformado ³duplicado²?

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cineasta

Jorge Queiroga
cineasta

Jorge Leitão Ramos
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Jorge Silva Melo
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Jorge Van Krieken
jornalista

José Alberto Lemos
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José António Gomes
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José Augusto Rocha
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José Cabeleira
maestro

José Carlos de Oliveira
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José Castro Caldas
economista

José Duarte
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José Fernandes e Fernandes
médico e professor da Fac. de Medicina da Universidade de Lisboa

José Jorge Barreiros
professor universitário

José Jorge Letria
escritor e presidente da Sociedade Portuguesa de Autores

José Luís Garcia
professor universitário

José Luís Manso Preto
jornalista

José Luiz Fernandes
jornalista, presidente da A. G. da Casa da Imprensa

José Manuel Matias
professor

José Maria Brandão de Brito
economista

José Mário Costa
jornalista

José Matias
técnico de administração local

José Medeiros Ferreira
professor universitário

José Nunes de Almeida
tradutor

José Nuno Martins
produtor e realizador de rádio e televisão

José Rebelo
professor universitário

 Lauro António
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Leonel Moura
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Leonor Xavier
escritora

Loureiro dos Santos
general

Luís António Santos
professor universitário

Luís Carlos Patraquim
escritor

Luís Gonçalves Rebelo
jornalista

Luís Humberto Teixeira
tradutor

Luís Marques dos Santos
professor

Luís Moita
professor universitário

Luís Reto
reitor do ISCTE

Luís Sousa
politólogo

Luísa Schmidt
socióloga

Luísa Tito de Morais
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Luísa Tovar
engenheira civil

 Manuel Alegre
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Manuel António Pina
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Manuel Beja
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Manuel Moura dos Santos
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Manuel Pedroso Lima
advogado

Manuel Pinto
professor universitário

Manuel Santana
consultor de comunicação

Margarida Almeida Rocha
jurista

Margarida Magalhães Ramalho
investigadora

Margarita Correia
professora universitária e linguísta

Maria Augusta Babo
professora universitária

Maria Celsa Carmo Pimenta
psicóloga aposentada

Maria Clara Currito Gargalo Ferreira da Silva
enfermeira

Maria de Lourdes Carvalho
escritora

Maria do Rosário Cambournac Fernandes
médica pediatra

Maria do Rosário Pedreira
editora e escritora

Maria do Rosário Rodrigues
psicóloga

Maria Helena Mira Mateus
professora universitária

Maria João Barros
jornalista

Maria José Garrido
jornalista

Maria Manuela Martins Soares
médica

Maria Regina Rocha
professora

Mário Barroso
realizador de cinema

Mário de Carvalho
escritor

Mário Figueiredo
jornalista

Martins Morim
jornalista

Miguel Anacoreta Correia
engenheiro

Miguel Cardina
historiador

Miguel Sousa Tavares
escritor e jornalista

Miguel Urbano Rodrigues
jornalista e escritor


Narana Coissoró
professor universitário

Nelson de Matos
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Nelson Pinto Antunes
1º. secretário da Assembleia Municipal de Lisboa

Nicolas Fernandez
jornalista

Nuno Artur Silva
autor

Onofre Varela
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Orlando César
jornalista e presidente do C. Deontológico do Sindicato dos Jornalistas


Paquete de Oliveira
professor universitário e ex-provedor do telespectador da RTP

Patrícia Vasconcelos
directora de casting

Paula Torres de Carvalho
jornalista

Paulo Branco
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Paulo Pimentel
técnico de pianos

Paulo Trancoso
produtor de cinema

Pedro Almeida Vieira
engenheiro, escritor e jornalista

Pedro Laginha
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Pedro Lourtie
professor universitário

Pedro Penilo
artista plástico

Pedro Rebelo de Sousa
advogado

Pedro Salgado
biólogo

Pedro Tenreiro Biscaia
advogado e vogal do C. G. da Ordem dos Advogados

 Ricardo Sá Fernandes
advogado

Rita Alexandra Currito Gargalo Ferreira da Silva
geóloga

Rui Ferreira e Sousa
jornalista

Rui Namorado Rosa
professor universitário

Rui Tavares
escritor, jornalista e deputado europeu

Rui Teives Henriques
professor universitário

Rui Teixeira Motta
advogado e membro do Conselho de Opinião da RTP

Rui Vieira Nery
(confirmar)


Sérgio Godinho
cantor

Simonetta Luz Afonso
historiadora e presidente da Assembleia Municipal de Lisboa

Sónia Melo
jornalista

Susana Gato
produtora de televisão


Tiago R. Santos
argumentista

Tiago Torres da Silva
escritor e encenador

Tolentino de Nóbrega
jornalista

Tony Costa
director de fotografia

Tozé Brito
músico

Valdemar Cruz
jornalista

Vasco Lourenço
presidente da Associação 25 de Abril

Viriato Soromenho Marques
filósofo

Virgílio Amaral
professor universitário

Virgílio Castelo
actor

Vítor Bandarra
jornalista

Vítor Ramalho
advogado

Vítor Ribeiro
jornalista

20 de Agosto de 2012

O Concerto Promenade de sexta na Festa do Avante!

Texto de Manuel Jorge Veloso


Diversa e multifacetada que é, quanto às ofertas musicais que proporciona a quem a visita, a Festa do “Avante!” tem-se tornado desde há anos, nas noites de sexta-feira e a pretexto da abertura dos espetáculos no Palco 25 de Abril, um local de encontro dos amantes da música erudita e afinal de todos os visitantes que, não o sendo por hábito, nela acabam por descobrir os insondáveis prazeres da audição da Grande Música.

A iniciativa de promover estes concertos radicou sempre, aliás, numa perspectiva político-cultural mais geral que tão-só consiste, por parte da organização da Festa, em tornar as várias modalidades e expressões da cultura e do espetáculo abertas às grandes massas de público que todos os anos frequenta a Quinta da Atalaia, segundo princípios não elitistas e com resultados claramente positivos e transversais em termos de classe, género, idade, experiência e formação profissional ou académica.
Se recordarmos, mesmo genericamente, o que têm sido os conteúdos dessas grandes noites musicais, concluiremos que, pelo Palco 25 de Abril, têm passado peças sinfónicas ou de câmara; obras orquestrais e concertos para instrumentos solistas; aberturas, intermezzi e árias de ópera; música “pura” ou música “funcional”, ou seja, composta em função de outras artes performativas; e até música “programática”, tendo portanto como móbil a inspiração provocada por um determinado acontecimento histórico ou a passagem de uma dada efeméride com peso de referência.
É assim naturalíssimo que, por maioria de razões, tenha chegado à altura de escolhermos como mote e mesmo como título para o nosso concerto anual a “chancela” dos famosos Concertos Promenade, os velhos Proms, tal como ficaram conhecidos os concertos que anualmente a BBC, serviço público de rádio e televisão britânico, organiza predominantemente no Royal Albert Hall de Londres.
Chamados de Promenade porque evocando os eventos musicais realizados ao ar livre, desde meados do século XVIII, nos grandes recintos públicos e parques citadinos, estes Concertos tornaram-se um acontecimento maior da programação da BBC a partir de 1927 e, depois de uma interrupção provocada pelos primeiros anos da II Grande Guerra, novamente a partir de 1942, agora no interior de amplas salas de concerto mas ainda e sempre proporcionando ao público um ambiente muito descontraído, quantas vezes sublinhando este com a sua espontaneidade e intervenção colectiva certas passagens de peças famosas e de conhecimento geral.
Nada que não conheçamos já, de uma outra forma, da nossa própria Festa!
É esse mesmo espírito de fruição informal mas atenta, tão próprio da vasta plateia ao ar livre frontal ao Palco 25 de Abril, que de novo caracterizará o concerto de arranque da Festa, até porque as nossas escolhas foram desta vez dirigidas para um repertório bem conhecido e de grande êxito popular. (ver caixa)
De regresso à Festa, estará a Sinfonietta de Lisboa, dirigida por Vasco Pearce de Azevedo, estando também em plano de destaque três jovens e talentosos solistas portugueses: Sérgio Pacheco (trompete), Ana Cristina Fernandes Pereira (violino) e Inês Andrade (piano).

alinhamento do espectáculo




9 de Agosto de 2012